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Arquitetura traduz o universo da ciência.
Projeto Design - nº. 360 - Fevereiro 2010

a Museu Exploratório de Ciências, no campus da Universidade Estadual de Campinas (Uni­camp), ganhará nova sede, em área próxima do pequeno prédio onde funciona atualmente. Desen­volvido por Daniel Corsi, Dani Hirano e Reinaldo Nishimura, sócios do escritório paulistano CHN Arquitetos, o projeto foi selecionado por meio de concurso público internacional e superou 170 concorrentes de 21 países. a resultado do cer­tame foi anunciado em agosto de 2009, quando teve início a fase de captação de recursos para viabilizar a obra, ainda sem data para começar.

O local reservado para o prédio está em um extremo da gleba, no alto de um aclive de onde se tem vista panorâmica em 360 graus. Na mesma área, em cota um pouco mais elevada, está sendo construída a praça Tempo & Espaço, palco para programações ao ar livre. Entre as premissas do edital estavam a criação de uma referência arquite­tônica para o campus e a preservação da vista para o pôr do sol a partir dessa praça. "A relação entre o museu e a paisagem deveria ser um acontecimento de escala territorial. Um museu que observa e é ob­servado", explica Corsi (FAU/Mackenzie, 2003).

Os arquitetos desenvolveram um volume pavi­Ihonar em dois níveis, com 150 x 35 metros, que se acomodará na topografia no eixo norte-sul, com a face principal voltada para o oeste. A cobertura alinhada à cota da praça manterá livre a vista para o poente. Na lateral sul, o volume se verticaliza para estabelecer um marco visível a grande distância, um convite ao observador. "Nosso objetivo era expressar a ciência por meio da arquitetura. a prédio é um objeto didático", afirma Corsi. "Tudo tem uma justifi­cativa, e o visitante vai descobrindo cada uma delas por estágios, desde o momento em que se aproxima até completar o percurso interno", completa Hirano (FAU/Mackenzie, 2003).

Suspenso, o pavilhão tem balanço de 25 metros e o acesso será feito pela rampa de pé-direito baixo que conduzirá à área de acolhimento, um espaço de 4,5 metros de altura coberto por tela metálica perfurada. Internamente, os ambientes com vazios, al­turas variadas e limites físicos flexíveis vão garantir mais liberdade na montagem das exposições. As áreas internas se dividem em quatro setores - acolhimento, distri­buição/bloqueio, exposição temporária e exposição permanente. Essa setorização se reflete nas quatro faixas da cobertura.

A parte mais alta do volume vertical, cuja cobertura pode ser aberta, está reserva­da para o observatório com telescópio.

Um dos elementos de destaque do projeto do museu é o fechamento lateral, que será feito com chapas de alumínio perfuradas, em padrão baseado no fractal do matemático sueco Helge von Koch. "O fractal é uma metáfora do universo", justifica Nishimura (FAU/Mackenzie, 2006). O desenvolvimento do padrão de repetição e escala resultou em quatro tamanhos de perfurações e dez placas, combinadas nas fachadas em acordo com a luminosidade necessária para cada ati­vidade interna. Além do desenho infinito e parametrizado, as chapas oferecerão per­meabilidade visual e ventilação constante dos espaços ao longo das áreas internas.

1 – Museu
2 – Praça Tempo & Espaço
3 – Construções existentes

O edifício foi pensado com estrutura mista, com oito pilares de concreto dando sustentação às treliças metálicas estrutu­rais. As chapas de alumínio do fechamento vertical são dobradas na parte superior a fim de recobrir as treliças. O restante da cobertura prevê o uso de telha termoacústica.

Ficha Técnica

Museu Exploratório de Ciências da Unicamp Localização Campinas, SP
Data do início do projeto 2009
Área do terreno 28.900 m2
Área do projeto 5.300 m2
Arquitetura CHN Arquitetos - Daniel Corsi, Dani Hiranoe Reinaldo Nishimura (autores);
André Biselli Sauaia e Laura Paes Barreto Pardo (colaboradores); Andrea Key Abe,
Jennitter A. dos Reis, Lídia Neves Martello, Amanda Nascimento Higuti e Tatiana Hummel (equipe)
Consultores Raul José de Almeida, Bruno Sinopoli, Mônica Marcondes, Boris Villen,
Eduardo Knothe, lIan Gotlieb, Inês Coutinho e Ricardo Zulques
Maquete Leon Richard Benkler

 

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Data da última atualização: 16/07/2010